[Ementas 2026.2] Arte e pensamento social na Amazônia
- Jeferson Rodrigues
- 6 de jul.
- 6 min de leitura
ANO / SEMESTRE:
2026.2 |
NOME DA DISCIPLINA OFICIAL:
Arte e Recepção: Estudos Avançados da Modernidade Global |
PROF.(S) RESPONSÁVEL(IS):
José Denis de Oliveira Bezerra Vera Beatriz Siqueira Moema Bacellar João Cícero Bezerra |
TÍTULO DO CURSO:
Arte e pensamento social na Amazônia |
EMENTA:
Diálogo entre o campo da Arte e o pensamento social na/da Amazônia. Apresentação do pensamento sobre a Amazônia, como espaço natural e cultural, historicamente construído por autores/intérpretes da região. Modos de percepção sobre a região: a construção de modelos interpretativos de um pensamento social sobre a Amazônia e sua problematização. As obras de arte como meio de (re)interpretar a região. A arte como modo de interpretação do pensamento social na Amazônia.
Conteúdo Programático: Neste curso tomaremos a Amazônia como síntese da ideia de “Novo Mundo” para realizar três movimentos de análise sobre a região, conforme o que segue: 1. Apresentação de como o pensamento sobre a Amazônia, como espaço natural e cultural, foi construído historicamente, identificando autores e obras cujas interpretações sobre a região se estabeleceram como modelos e ajudaram a consolidar certas representações que são retomadas ou reinventadas nos últimos cinco séculos no pensamento ocidental, para explicar ou entender a região, perpetuando um modo de interpretá-la que cristalizou ideias, conceitos e pré-conceitos. 2. Como parte de um esforço de “interpretação das interpretações” sobre a região, apresentaremos como vem se dando a construção de um pensamento social sobre a Amazônia, que vai realizar uma leitura crítica dos esquemas interpretativos sobre a região, que se tornaram senso comum no mundo erudito, buscando construir outros modelos para sua interpretação, que problematizem o lugar das ideias na elaboração de categorias interpretativas, enfatizando outros saberes na construção das interpretações sobre a Amazônia. 3. Abordagem das expressões artísticas como meio de (re)interpretar a região, buscando exemplos de obras que surgiram na própria região ou que foram elaboradas inspiradas por elementos nela encontrados e que permitem vislumbrar novos modos para sua interpretação, sintonizados com o pensamento social na Amazônia, que busquem: a) uma revisão de sua historiografia oficial; b) a valorização das mitologias e cosmogonias indígenas e afros; c) a promoção de formas originais de refletir sobre as relações entre natureza e cultura; e d) a apresentação de modos de percepção e criação dos povos da região. |
DIA E HORÁRIO:
Quarta-feira, 14 às 17h |
BIBLIOGRAFIA BÁSICA:
ANDRADE, Mário de. O Turista Aprendiz; edição de texto apurado, anotada e acrescida de documentos por Telê Ancona Lopez, Tatiana Longo Figueiredo; Leandro Raniero Fernandes, colaborador. Brasília: Iphan, 2015. BELLUZZO, Ana Maria. A propósito d'O Brasil dos Viajantes. Revista Usp, n. 30, 1996. p. 6-19. BEZERRA, José Denis de Oliveira. Benedito Nunes: um esteta nos trópicos amazônicos. Revista Apoena, v. 3, n. 5, 2021, p. 129-150. BEZERRA, José Denis de Oliveira. NAS ENCRUZILHADAS DA MEMÓRIA: EM-CANTO MARIA. Revista Humanidades e Inovação, v.7, n.23, 2020, p. 186-201. BOMFIM, Marcela. (Re)Conhecendo a Amazônia Negra. Catálogo. CAIXA Cultural São Paulo 7 de outubro a 17 de dezembro, 2017. BRAGA, Sérgio Ivan Gil. O boi é bom para pensar: estrutura e história nos bois-bumbás de Parintins. Somanlu: revista de estudos amazônicos, v. 2, n. 2, p. 13-26, 2002. CORDEIRO, Rosilene da Conceição. “CABOCLA MARIANA MORA NAS ONDAS DO MAR, FAIXA ENCARNADA ELA GANHOU PRA GUERREAR!”: um estudo sobre performance cotidiana e memória cultural paraense. IN: BEZERRA, José Denis de Oliveira; ANDRADE, Simei Santos. Peraus da Memória: pesquisas em artes cênicas na Amazônia. Belém: Paka-Tatu, 2023. COSTA, Antonio Maurício Dias da. Boi de Fama. “Pessoal de bumbá”, agentes do estado, jornalistas, literatos e a sociabilidade festiva nos subúrbios de Belém (décadas de 1920 e 1930). Varia História, Belo Horizonte, vol. 37, n. 73, p. 185-216, jan./abr. 2021. COSTA, Gil Vieira. Imagens da Amazônia na arte brasileira: do território a conquistar ao território a resistir. REVISTA POIÉSIS, v. 22, n. 38, p. 44-63, 2021. COSTA, Selda Vale da. Imagens da Amazônia – Ermano Stradelli. In: BASTOS, Élide Rugai & PINTO, Renan Freitas (org.). Vozes da Amazônia III. Manaus: Edua, 2016. p. 91-129. DA COSTA, Selda Vale. Por rios amazônicos: conversas epistolares com Nunes Pereira. In: Vozes da Amazônia: investigação sobre o pensamento social brasileiro. BASTOS, Élide Rugai; PINTO, Renan Freitas (Org.). Manaus: Editora da Universidade Federal do Amazonas, 2077, p. 271-313. DE MELLO GÂMBERA, José Leonardo Homem. Fotografia na Amazônia brasileira: considerações sobre o pioneirismo de Christoph Albert Frisch (1840-1918). Pós. Revista do Programa de Pós-Graduação em Arquitetura e Urbanismo da FAUUSP, v. 20, n. 34, p. 180-197, 2013. DE SOUZA RIBEIRO, Odenei. Leandro Tocantins e a Amazonotropicologia. Textos e Debates, v. 1, n. 27, 2015. ESBELL, Jaider et al. NA SOCIEDADE INDÍGENA, TODOS SÃO ARTISTAS/In indigenous society everyone is an artist. Arte & Ensaios, v. 27, n. 41, p. 14-49, 2021. ESBELL, Jaider. Imagens de Esbell. Em Tese, v. 22, n. 2, p. 315-320. ESBELL, Jaider. Índios: identidades, artes, mídias e conjunturas. Em Tese, v. 22, n. 2, p. 11-19. ESBELL, Jaider. Makunaima, o meu avô em mim!. ILUMINURAS, v. 19, n. 46, 2018. FIGUEIREDO, Aldrin Moura de. O Índio como metáfora: política, modernismo e historiografia na Amazônia nas primeiras décadas do século XX. Projeto História: Revista do Programa de Estudos Pós-Graduados de História, 41. FRANK, Erwin. Objetos, imagens e sons: a etnografia de Theodor Koch-Grünberg (1872-1924). Boletim do Museu Paraense Emílio Goeldi. Ciências Humanas, v. 5, 2010. p. 153-171. FUNARTE. As artes visuais na Amazônia: reflexões sobre uma visualidade regional. Rio de Janeiro: FUNARTE, INAP/Projeto visualidade brasileira; Belém: Secretaria de Educação e Cultura, 1985. GONÇALVES, Gustavo Soranz. Território imaginado: imagens da Amazônia no cinema. Manaus: Edições Muiraquitã, 2009. GONDIM, Neide. DE COMO A AMAZÔNIA É REVISITADA PELOS FICCIONISTAS EUROPEUS. In: A invenção da Amazônia. Rio de Janeiro: Marco Zero, 1994. LOPEZ, Telê Ancona. O Macunaíma de Mário de Andrade nas páginas de Koch-Grünberg. Manuscrítica. Revista de Crítica Genética, v. 2, n. 24, 2013. LOPEZ, Telê Ancona. O turista aprendiz na Amazônia: a invenção no texto e na imagem. Anais do Museu Paulista: História e Cultura Material, v. 13, n. 2, 2005. p. 135-164. MAISEL, Priscila. A cobra na arte de Bernadete Andrade. Arteriais-Revista do Programa de Pós-Gradução em Artes, v. 6, n. 11, p. 111-120, 2020. MANESCHY, Orlando. Artista viajante: alguns casos na Amazônia: Estúdio, v. 7, p. 16-27, 2016. MENEZES, Bruno de. Boi Bumbá. In: Obras Completas de Bruno de Menezes, Volume 2, Folclore. Belém: Secretaria Estadual de Cultura; Conselho Estadual de Cultura, 1993. NASCIMENTO, Abdias. O genocídio do negro brasileiro: processo de um racismo mascarado. 3 ed. São Paulo: Perspectiva, 2016. NUNES, Benedito. A cultura no Pará: inventário e planejamento. Jornal A Província do Pará, 10/03/1957, Suplemento Letras e Artes, Caderno 2, p. 2. In: NUNES, Benedito. Do Marajó ao Arquivo: breve panorama da cultura no Pará. Organização de Victor Sales Pinheiro. Belém: Secult: EdUfpa, 2012. NUNES, Benedito. Pará capital Belém. In: NUNES, Benedito; HATOUM, Milton. Crônica de Duas Cidades. Belém: Secult, 2006. OLIVEIRA, José Aldemir. O pensamento geográfico sobre a Amazônia dos viajantes. IN: BASTOS, Élide Rugai & PINTO, Renan Freitas (org.). Vozes da Amazônia III. Manaus: Edua, 2016. PEREIRA, Nunes. Moronguêtá: um decameron indígena. Rio de Janeiro: Civilização brasileira. 2 Vol. 1967. PINTO, Renan Freitas. A viagem das ideias. Estudos Avançados, v. 19, p. 97-114, 2005. PIZARRO, Ana. MAPA DA NAVEGAÇÃO. In: Amazônia: as vozes do rio: imaginário e modernização. Tradução Rômulo Monto Alto. Belo Horizonte: Editoria UFMG, 2012. RAMINELLI, Ronald. O índio e o renascimento português. IN: RAMINELLI, Ronald. Imagens da colonização: a representação do índio de Caminha a Vieira. São Paulo/Rio de Janeiro, Edusp/Fapesp/Jorge Zahar, 1996. SALLES, Vicente. A folga do negro. In: O negro na formação da sociedade paraense: textos reunidos. 2 ed. Belém: Paka-Tatu, 2015, p. 203-246. SIQUEIRA, Vera Beatriz; BEZERRA, João Cícero. O sublime ecológico: a Amazônia como paisagem moderna. Palíndromo, Florianópolis, v. 18, n. 44, p. 1–34, 2026. DOI: 10.5965/2175234618442026e0007. STOCO, Sávio Luis. No paiz das Amazonas (Silvino Santos, 1922). Percurso de um marco do filme natural brasileiro até o mercado doméstico. Vivomatografías. Revista de estudios sobre precine y cine silente en Latinoamérica, Año 3, n. 3, diciembre de 2017, p. 161-184. TOCANTIS, Leandro. Arquitetura e paisagismo na Amazônia; Conjuntura amazônica. In: O rio comanda a vida – uma interpretação da Amazônia. Manaus: Editora Valer/Edições do Governo do Estado, 2000. TOCANTIS, Leandro. Prefácio à segunda edição. In: O rio comanda a vida – uma interpretação da Amazônia. Manaus: Editora Valer/Edições do Governo do Estado, 2000. VALENTIN, Andreas. A fotografia amazônica de George Huebner: um olhar entre o moderno e o selvagem. Studium, n. 17, p. 15-25, 2004. |