[Ementa 2026.2] Não existe pecado do lado de baixo do Equador: antípodas, inversões e o imaginário da diferença
- Jeferson Rodrigues
- 6 de jul.
- 2 min de leitura
ANO / SEMESTRE:
2026/2 |
NOME DA DISCIPLINA OFICIAL:
História da Arte Global |
PROF.(S) RESPONSÁVEL(IS):
Leonardo Bora e Maria Berbara |
TÍTULO DO CURSO:
Não existe pecado do lado de baixo do Equador: antípodas, inversões e o imaginário da diferença |
EMENTA:
O conceito do “mundo ao revés”, ou de cabeça para baixo, é necessariamente relacional. A partir de quais perspectivas - e por quê - um lugar, temperatura, costume, aspecto físico ou forma de conhecimento são concebidos como “o contrário” de algo? A partir das figuras dos antípodas, do mundo às avessas e das múltiplas formas de inversão presentes na cultura popular, este curso propõe investigar práticas, imagens e narrativas que participam de construções de processos de recepção e alteridade. O carnaval, a paródia, a sátira, os rituais festivos, os monstros, os povos imaginários, as geografias invertidas, as utopias e as distopias serão abordadas como expressões de imaginários que reagem, de distintas maneiras, a construtos sociais, culturais, religiosos, artísticos ou ideológicos. Na parte inicial do curso, a figura do antípoda será tomada em seu sentido cartográfico e cosmográfico, isso é, como o ponto da superfície terrestre diametralmente oposto a outro. Na tradição clássica, o antípoda – literalmente aquele que têm os pés (podes) voltados contra (anti) os nossos – passa a referir-se a tudo o que se imagina existir no “outro” lado da terra, incluindo climas extremos e raças monstruosas. Assim como o “mundo ao revés”, o antípoda não está em um lugar específico, mas é sempre relativo. O segundo bloco do curso enfatizará os conceitos de “utopia”, “heterotopia” e “carnavalização”, a partir das proposições teóricas de nomes como Mikhail Bakhtin e Michel Foucault. Ritos e práticas de inversão associados aos festejos carnavalescos serão problematizados, levando em conta, especificamente, o cenário do carnaval carioca – palco onde se destacam as narrativas produzidas por Rosa Magalhães, Fernando Pinto e Joãosinho Trinta, artistas que, em variados cortejos, desdobraram as ideias que norteiam o debate.
|
DIA E HORÁRIO:
Segunda-feira/ 14:00 a 17:00 |
BIBLIOGRAFIA BÁSICA:
Bakhtin, Mikhail. A cultura popular na Idade Média e no Renascimento: o contexto de François Rabelais. São Paulo/Brasília: HUCITEC/Editora Universidade de Brasília, 2008.
Berbara, Maria, Carolina Martínez e André Reyes Novaes. “Extreme Spaces as Encounters: Images, Environments and Otherness.” Arts 15 (2026).
Bora, Leonardo Augusto. “Rosa Magalhães, carnavalesca e cartógrafa.” Figura: Studies on the Classical Tradition 9, no. 1 (2021).
Brotton, Jerry. A History of the World in Twelve Maps. London: Allen Lane, 2012.
Burke, Peter. Popular Culture in Early Modern Europe. 3rd ed. Farnham: Ashgate, 2009.
Cavalcanti, Maria Laura Viveiros de Castro. O rito e o tempo: ensaios sobre o Carnaval. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 1999.
Certeau, Michel de. The Writing of History. Translated by Tom Conley. New York: Columbia University Press, 1988.
Chakrabarty, Dipesh. Provincializing Europe: Postcolonial Thought and Historical Difference. Princeton: Princeton University Press, 2000.
DaMatta, Roberto. Carnavais, malandros e heróis: para uma sociologia do dilema brasileiro. Rio de Janeiro: Rocco, 1997.
Davies, Surekha. Renaissance Ethnography and the Invention of the Human: New Worlds, Maps and Monsters. Cambridge: Cambridge University Press, 2016.
Ferreira, Felipe. Inventando carnavais: o surgimento do carnaval carioca no século XIX e outras questões carnavalescas. Rio de Janeiro: Editora UFRJ, 2005.