top of page

[Ementa 2026.2] Não existe pecado do lado de baixo do Equador: antípodas, inversões e o imaginário da diferença

ANO / SEMESTRE:

2026/2

 

NOME DA DISCIPLINA OFICIAL:

História da Arte Global

 

PROF.(S) RESPONSÁVEL(IS):

Leonardo Bora e Maria Berbara

 

TÍTULO DO CURSO:

Não existe pecado do lado de baixo do Equador: antípodas, inversões e o imaginário da diferença

 

EMENTA:

O conceito do “mundo ao revés”, ou de cabeça para baixo, é necessariamente relacional. A partir de quais perspectivas - e por quê - um lugar, temperatura, costume, aspecto físico ou forma de conhecimento são concebidos como “o contrário” de algo?

A partir das figuras dos antípodas, do mundo às avessas e das múltiplas formas de inversão presentes na cultura popular, este curso propõe investigar práticas, imagens e narrativas que participam de construções de processos de recepção e alteridade. O carnaval, a paródia, a sátira, os rituais festivos, os monstros, os povos imaginários, as geografias invertidas, as utopias e as distopias serão abordadas como expressões de imaginários que reagem, de distintas maneiras, a construtos sociais, culturais, religiosos, artísticos ou ideológicos.

Na parte inicial do curso, a figura do antípoda será tomada em seu sentido cartográfico e cosmográfico, isso é, como o ponto da superfície terrestre diametralmente oposto a outro. Na tradição clássica, o antípoda – literalmente aquele que têm os pés (podes) voltados contra (anti) os nossos – passa a referir-se a tudo o que se imagina existir no “outro” lado da terra, incluindo climas extremos e raças monstruosas. Assim como o “mundo ao revés”, o antípoda não está em um lugar específico, mas é sempre relativo. O segundo bloco do curso enfatizará os conceitos de “utopia”, “heterotopia” e “carnavalização”, a partir das proposições teóricas de nomes como Mikhail Bakhtin e Michel Foucault. Ritos e práticas de inversão associados aos festejos carnavalescos serão problematizados, levando em conta, especificamente, o cenário do carnaval carioca – palco onde se destacam as narrativas produzidas por Rosa Magalhães, Fernando Pinto e Joãosinho Trinta, artistas que, em variados cortejos, desdobraram as ideias que norteiam o debate.

 

 

 

DIA E HORÁRIO:

Segunda-feira/ 14:00 a 17:00

 

 

 

BIBLIOGRAFIA BÁSICA:

 

Bakhtin, Mikhail. A cultura popular na Idade Média e no Renascimento: o contexto de François Rabelais. São Paulo/Brasília: HUCITEC/Editora Universidade de Brasília, 2008.

Berbara, Maria, Carolina Martínez e André Reyes Novaes. “Extreme Spaces as Encounters: Images, Environments and Otherness.” Arts 15 (2026).

Bora, Leonardo Augusto. “Rosa Magalhães, carnavalesca e cartógrafa.” Figura: Studies on the Classical Tradition 9, no. 1 (2021).

Brotton, Jerry. A History of the World in Twelve Maps. London: Allen Lane, 2012.

Burke, Peter. Popular Culture in Early Modern Europe. 3rd ed. Farnham: Ashgate, 2009.

Cavalcanti, Maria Laura Viveiros de Castro. O rito e o tempo: ensaios sobre o Carnaval. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 1999.

Certeau, Michel de. The Writing of History. Translated by Tom Conley. New York: Columbia University Press, 1988.

Chakrabarty, Dipesh. Provincializing Europe: Postcolonial Thought and Historical Difference. Princeton: Princeton University Press, 2000.

DaMatta, Roberto. Carnavais, malandros e heróis: para uma sociologia do dilema brasileiro. Rio de Janeiro: Rocco, 1997.

Davies, Surekha. Renaissance Ethnography and the Invention of the Human: New Worlds, Maps and Monsters. Cambridge: Cambridge University Press, 2016.

Ferreira, Felipe. Inventando carnavais: o surgimento do carnaval carioca no século XIX e outras questões carnavalescas. Rio de Janeiro: Editora UFRJ, 2005.

Posts recentes

Ver tudo
logo_uerj_pb.jpg
logo_art.jpg

Rua São Francisco Xavier, 524 – 11º andar, Bloco E 

Maracanã – 20.550-900 – Rio de Janeiro/RJ – Brasil

ppgha.art.uerj@gmail.com

Atendimento presencial:

terça e quinta de 13:00 às 16:00

Atendimento remoto, clique aqui.

  • Preto Ícone Facebook
  • Instagram ícone social

Todas as fotos da UERJ usadas nesse site são de Leonardo Barcelos Porcino

bottom of page